Evangelizando essa geração pós-cristã.

Como evangelizar uma geração pós-cristã

A imagem que as pessoas têm dos cristãos muda constantemente. Isso depende da geração de cristãos que estão vivendo e de como eles estão testemunhando. Os seguidores de Cristo já foram conhecidos como canibais, ateus e até incestuosos. O canibalismo foi em razão de que os cristãos bebiam sangue e comiam carne ao tomar a santa ceia. A prática do incesto é porque as pessoas ouviam os cristãos chamando-se de irmãos e irmãs, incluindo casais casados, que viviam não apenas como marido e mulher, mas também como irmãos em Cristo. A maioria dos gregos e romanos viam os cristãos como ateus por não terem uma estátua da divindade em suas igrejas. Ao verem os cristãos cultuando um Deus sem uma presença física, não tinham outra conclusão a não ser que eram ateus.

Hoje já não somos mais vistos como canibais, ateus ou incestuosos. Mas a cultura atual tem uma ideia muito errada do verdadeiro cristianismo ensinado por Jesus Cristo. Hoje os cristãos são conhecidos como fanáticos, intolerantes, acusadores, ignorantes e até “bregas”. Os pastores são chamados de safados, ladrões, interesseiros e manipuladores. Quando se pensa em igreja, se pensa num grande número de velhinhos ou de pessoas sem muito conhecimento como frequentadores.

Ao ler esse segundo parágrafo, talvez, você tenha se colocado na defensiva e dito “isso não é verdade”, “na minha comunidade isso é totalmente diferente”. Lembre-se que você está do lado de dentro da igreja e sabe os motivos das ações dos cristãos e entende cada declaração do seu pastor. Precisamos, contudo, enxergar como as pessoas de fora nos veem.

Isso pode até parecer estranho para você, mas, sendo bem honesto, não culpo as pessoas da cultura de hoje por pensarem dessa maneira de nós cristãos. Se eu não fosse um pastor cristão, ou se não tivesse amigos que realmente seguem a Cristo, acho que não seria um cristão. Se apenas me baseasse com a visão que se tem do cristianismo olhando do lado de fora da igreja, seria bem difícil eu aceitar a ser um seguidor de Cristo. Não digo isso por rebelião contra Deus ou contra a igreja. Eu simplesmente chegaria a esta conclusão por observar os cristãos e por não querer transformar-me em algo que não desejo ser.

Eu estou trabalhando pela primeira vez em uma cultura totalmente diferente da minha. Ser missionário em um país distante não é algo simples. Mesmo que se pensa que, ser missionário na Europa e num país como a Suíça é muito mais fácil que estar morando na Etiópia, um país extremamente pobre e com pouco conforto. É verdade, a qualidade de vida é diferente. Mas falar de Cristo numa cultura que não é a sua, é preciso seguir alguns passos meticulosamente para você conseguir sobreviver por um bom tempo.

Quando os missionários entram em outra cultura, eles ouvem, aprendem, estudam as convicções e tomam pé dos valores culturais. Tentam descobrir quais experiências aquela cultura já teve com os cristãos e aquilo que as pessoas pensam sobre o cristianismo. Missionários em uma cultura diferente não adotam a fé nem abraçam as convicções espirituais da outra cultura, mas realmente respeitam as pessoas, uma vez que estão no território dos outros.

O que quero dizer com isso é, que nós cristãos hoje, somos estrangeiros numa cultura pós-cristã, e precisamos despertar para essa realidade, caso ainda não tenhamos feito. Temos que perceber que a cultura emergente é diferente e devemos enxergá-la e estarmos inserido como tal missionário enxergaria ou viveria nela. Temos que encarar essa geração como uma geração que precisa de missionários infiltrados que a entenda, a respeita e que tenha sabedoria dos altos céus para evangelizá-la.

Temos que nos envolver e saber o que eles estão pensando de nós. Quais são suas ideias e quais são seus prazeres. Devemos nos envolver de forma amistosa com eles, procurar ganhar a confiança, ouvir suas histórias, tentar compreender seu coração e seus valores, somente assim seremos bons missionários de nossos vizinhos que estão vivendo numa cultura pós-cristã.

Ou seja, temos que nos parecermos mais com Cristo. Temos que ouvir o que Mahatma Gandhi disse sobre nós:  “Gosto de Cristo, não gosto dos cristãos. Os cristãos se parecem muito pouco com Cristo”. Se quisermos sermos missionários nesta cultura pós-cristã temos que, mais do que em qualquer outro tempo, AMAR. Amar o vizinho rebelde, amar o amigo drogado, amar o mendigo que passa fome e resolver o problema dele. Amar o doente e estar do lado dele.

Sair da igreja e conhecer o que está acontecendo com as pessoas que vivem ao nosso redor. Ficar só fazendo culto e criticando os pecados dessa geração pouco resultado teremos. Mostrar a eles que são pecadores e merecem o inferno não os convencerá que precisam de Cristo. Temos que ficar do lado de Jesus quando encontramos uma adúltera que está prestes a ser apedrejada. Temos que estar mais dispostos a amar que julgar.

Solte as pedras, mude de lado. Se envolva com as pessoas. Tenha o amor de Cristo no seu coração e você será um bom missionário na sua cidade.

Mateus 25:31-46

Rodrigo Bertotti acredita que a igreja local é a mais importante organização do planeta, e está ajudando a transformá-la num lugar onde todos amam estar. Como líder e pastor trabalha na Igreja Adventista no sul da Suíça. É um estudante de liderança, comunicação, igreja e fé, e compartilha suas ideias na igreja, no blog e em suas redes sociais. www.rodrigobertotti.com

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