As mulheres sempre lutaram pelo seus direitos

Elas pediram por justiça e ajudaram muitas mulheres da sua época

São muitas as discussões e hipóteses de quem teria sido a primeira feminista da História. A escritora Christine de Pisan, no século 14 é uma candidata, por levantar os ideais de direitos da mulher em seus escritos, ou ainda a francesa Olympe de Gouges que cunhou a célebre declaração “Uma mulher tem o direito de subir ao cadafalso; ela deve ter, igualmente, o direito de subir a uma tribuna”, dois anos antes de morrer, em 1791). Algumas ignoram as primeiras mulheres por dizer que os direitos das mulheres só começaram a ser defendidos explicitamente há um século, mas é só vasculhar um pouco na Palavra de Deus que entre costumes e cultura tipicamente patriarcais, encontramos 5 mulheres à frente de seu tempo, exigindo seus direitos e também dos seus antepassados, por entender que lugar por justiça não é apenas brigar pelas mulheres, mas por uma sociedade mais justa e equânime.


Talvez para você que está lendo isto agora e vive numa sociedade onde – bem ou mal – as mulheres têm o seu valor e onde é obvio dizer que você TEM QUE TER os mesmos direitos civis e trabalhistas que os seus pares masculinos, a petição delas pareça pequena. Mas pense no contexto: o povo hebreu tinha  saído do Egito, onde as mulheres eram, além de mão de obra escrava, objeto sexual, estupradas e desrespeitadas. Tanto que o não de Deus nos 10 Mandamentos, dizendo para não adulterar, soava menos uma proibição e mais um voto de respeito entre ambos os sexos. Agora estas mulheres passam anos no deserto, peregrinando, aprendendo a ser povo e descobrindo de novo o que é ser obediente a Deus. Nem todos conseguem, nem todos querem, nem todos sobrevivem à este período e entre eles, o pai destas jovens, o Zelofeade, da tribo de Manassés, descendente do famoso José do Egito. Elas sabiam que o pai não tinha sido dos mais fiéis, no entanto, o erro dele, não serve de desculpa pra elas que escolhem ser sim fiéis.

E no contexto de redistribuição de terras, se dão conta de que por não terem nenhum irmão homem, o nome de seu pai e de sua família não será lembrado, nem elas terão direito à herança. Mendigar, viver de favor dos outros, trabalhar duro para ter muito pouco, talvez um bom casamento que às salvasse da miséria. Quais eram mesmo suas opções reais? Não era justo! A primeira lição que se tem aqui é a união das irmãs, sobretudo num assunto que costuma dar muita briga em família. Mas não se deixa de lado a importância e respeito que dão ao pai e ao seu nome. Só que o que tinham em mente era absurdo para a época, nunca ninguém tinha pedido isto e as leis civis de Moisés não previa mulher como donas de herança. Podiam sucumbir ao “deixa assim, sempre foi deste jeito mesmo”, sentença tentadora à qual se submete quando não se quer pagar o preço de mudar o que se acha injusto e errado.

Ocupado que era, Moisés não devia dar pinta todo dia pelas tendas, pelos milhares de lares que ele regia junto com um time de anciãos e conselheiros, por isto, era preciso paciência para esperar o momento certo de encontrar a autoridade que poderia resolver seu problema e é uma lição importante o fato de elas irem atrás do que consideravam justo, no lugar de simplesmente se lamentar, se queixar ou choramingar para Deus que não concordavam com aquilo. Então, na entrada da Tenda Sagrada, Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza encontraram não só Moisés, mas Eleazar, que era o sacerdote, as autoridades do povo e uma multidão que estava no local.

Levantaram as roupas em sinal de protesto? Levaram cartazes, megafones ou gritaram nas redes sociais? Gravaram vídeos xingando, com megafone na rua, gritando pela injustiça em que as mulheres se encontravam? Não, não, não e não. Educadas e com clareza falaram o suficiente para serem entendidas. “O nosso pai morreu no deserto e não deixou filhos homens. Ele não estava entre os seguidores de Corá, que se revoltaram contra Deus, o Senhor, mas morreu por causa dos seu próprio pecado. Não é justo que o nome do nosso pai desapareça do meio do seu grupo de famílias só porque não teve nenhum filho homem. Dê uma propriedade para nós, entre os parentes do nosso pai.”


Até por causa das convenções sociais da época e do absurdo que pediam, visto que ninguém nunca clamou por isto, poderiam até tê-las expulsado de lá, mandado que se calassem e voltassem pra casa lavar roupa. Mas eram convictas do que queria e pediram com classe. De tão inusitado, porém, Moisés não soube o que responder e foi consultar a Deus sobre o assunto, afinal, vai que isto fosse contra a vontade do Pai. Pois para surpresa geral da nação, Deus se declarou favorável a elas: “o que as filhas de Zelofeade estão pedindo é justo. Você deve dar a elas uma propriedade entre os parentes do seu pai. A herança do pai deve passar para elas”.  Imagine a alegria das moças e das outras tantas ao seu redor. Isto porque a partir do pedido delas, todas as mulheres, a partir dali, teriam também direito à herança e mudou-se a maneira como se distribuiria o capital, no caso de falecimento do pai e não tenho filhos homens. Unidas e destemidas, lutaram por um ideal e fizeram o povo todo entender que para Deus, homens e mulheres têm o devido valor. Como o apóstolo Paulo ratifica, séculos depois, em sua carta aos gálatas. “Pois, por meio da fé em Cristo Jesus, todos vocês são filhos de Deus. Desse modo não existe diferença entre judeus e não judeus, entre escravos e livres, entre homens e mulheres; todos vocês são um só por estarem unidos com Cristo Jesus” (Gálatas 3:26, 28)

Quer reivindicar? Aprenda com elas!

1 – não se deixe intimidar pelo senso comum de que as coisas sempre foram assim e não podem ser mudadas.

2 –  Não adianta ter fé na justiça de Deus não se move em busca dos seus ideias.

3 – Trabalhe em equipe que junte pessoas com o mesmo interesse que você.

4 – Esqueça choro, grito e barraco e faça-se ouvir pela clareza de argumentos.

6 – escolha o momento oportuno, pois nem todo lugar e ocasião servem para se fazer ouvir.

7 – pense não só em você, mas em todas as pessoas que você pode ajudar com sua ação.

Feminismo

Feminismo é uma corrente de pensamento e ações que buscam a igualdade das mulheres, sua não sujeição aos homens, o direito de abortar e de receber salários iguais para as mesmas funções. Embora bonito no discurso, o feminismo decorre da ideia comunista de que a família e a religião enfraquecem a mulher e a delimita. O cristianismo, por outro lado, embora lide com as ideias do patriarcado, mostra pela bíblia que para Deus o lugar da mulher não só é igual ao do homem em importância, como muitas vezes é até mais exaltado por Deus. Pense nisto!

Esse texto foi extraído da Revista Mulher de Fé de Fabiana Bertotti. Para adquirir clique aqui.




Rodrigo Bertotti acredita que a igreja local é a mais importante organização do planeta, e está ajudando a transformá-la num lugar onde todos amam estar. Como líder e pastor trabalha na Igreja Adventista no sul da Suíça. É um estudante de liderança, comunicação, igreja e fé, e compartilha suas ideias na igreja, no blog e em suas redes sociais. www.rodrigobertotti.com

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